Confissão

Jornalistas

Nunca me classifiquei entre escritores, ou poetas, ou jornalistas. E não o fiz por que sou apaixonada pela excelência, e, à exceção de tantos mestres que o mundo já produziu, eu não colocaria nessas classes mesmo alguns grandes profissionais de sucesso. Como eu os chamaria, então? Entusiastas. Jovens e velhos, com ou sem experiência, mas que acreditam no poder da vontade e são movidos pelo entusiasmo. E a motivação necessária para ser jornalista é, certamente, o que me levou à profissão. Meu material de trabalho é o mundo, e a dinâmica proporcionada por essa perspectiva apenas um jornalista vive. Comecei muito cedo: a escola era meu universo em análise e, desde o Ensino Médio, passei a escrever para o jornal interno do Colégio Militar. Posteriormente, movida em parte pela necessidade de dinheiro, em parte por inspiração conveniente, concursos de redações e reportagens entraram em meu caminho. E, assim, a crença em meu trabalho, ou antes, em minha vontade de trabalhar, levou-me a desenvolver meus trabalhos, projetos, aspirações e ambições. Não todos os dias se tem vontade de ir para a melhor escola de jornalismo do mundo. Mas como eu disse, sou apaixonada por excelência.

E tanto antes comecei a trabalhar, tanto antes percebi que não havia melhor sala de aula que o fazer, que o concretizar. E percebi, bastante cedo que, no jornalismo, independentemente dos anos de experiência em questão, mais um ano trabalhando é mais um ano aprendendo.  E, por essa razão, apenas me declararei jornalista quando tiver anos o suficiente – de idade, de profissão, de experiência. Entretanto, percebo que, para mim, em nenhum momento, tais anos assomam-se como penosos. Pelo contrário, o jornalismo como profissão mostrou-se como a concretização da minha vontade de jamais deixar de aprender e, ainda, de usar tal educação antes como agente fortalecedor de minha personalidade e desenvolvedor de minhas paixões que carrasco de modelos e convenções.

Quando penso em figuras jornalísticas que me inspiram, logo me vem à mente a imagem de profissionais escrevendo, fotografando, gritando, morrendo. Mortes têm seu quê de serem favoráveis à inspiração, e, então, tendo a criar minha própria imagem em um ato de heroísmo, e as memórias de minha mãe há treze ou quatorze anos me são convenientes: “Essa menina vai morrer de tanto falar; fica quieta, menina!”. E, fatalmente, pensei que morreria durante meus anos de Colégio Militar quando resolvi escrever mentalmente uma reportagem apenas parcialmente revelada sobre “Visões Civis de um Regime Autoritário” e, logo depois da semi-publicação, fui chamada na coordenação. Foi meu primeiro ato heroico, mesmo que restrito à minha interpretação. Neste ponto, surge outra das minhas motivações para o jornalismo: o morrer de comunicar-se. A morrer de falar qualquer namoradeira de parapeito está sujeita, mas a morrer de comunicar-se, só quem estabelece diálogo. E não é esse, afinal, o papel do formador de opinião, na atualidade?  Estabelecer a ponte entre os grandes acontecimentos e como eles reverberam nas pequenas taxas; entre a moda veiculada aos milhões e aquela que surge como alternativa, pra quem não gosta, ou não pode bancar. O jornalista procura esse contato, e media o eterno flerte entre o que se precisa saber e o por quê.

Se for preciso sair à rua, o jornalista o faz. Se o chamado é por passar dias trancado até as não sei quantas páginas saírem, trancado ficará. Se for preciso ouvir, cala-te boca! Quando te chama o discurso, porém, que oratória, que argumentos! Eu sou a chata de terninho; sou a bela dos dias de sol ou de chuva; sou os sapatos de salto e o blazer na bolsa. Sou as palavras que sobram ou que faltam. Sou o café derramado. Sou o flanêur do Paulo Barreto. Meu nome é Larissa Guimarães, e hoje sou entusiasta, mas quero ser jornalista.

 

 

 

 

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Este post foi publicado em 10/08pmFri, 30 Aug 2013 15:54:55 +0000/2012 às 3:54 PM. Ele está arquivado em Sem categoria e marcado , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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