As Aventuras da Linha

Você já parou pra pensar na complexidade das linhas? Na verdade, é um desenvolvimento bastante linear. Por que tudo é linha: o círculo é uma linha que faz curva, um plano é feito de milhões de linhas. Mas, ainda, não é nem por aí que se visualiza o quão genial estas retas infinitas são. Afinal, ser muitas coisas diferentes não quer, necessariamente, dizer ser espetacular. Mas ser, partindo do mesmo princípio, tão flexível, maleável e útil a tantas coisas que no fundo têm um só objetivo – definir – e ainda emprestar-se tempo para ser algo mais, isso sim é formidável.

            As linhas mais óbvias se aventuram nos planos cartesianos, nas figuras geométricas, nas curvas dos corpos, nos fios de cabelo. E, eventualmente, outras ousam, em linhas de pensamento completamente distintas, e dão origem a teorias, e a símbolos, e a letras e afins.  E outras linhas configuram-se em verso, em crédito, em corda que você pode escolher me dar ou dar para outro qualquer.

E assim alinha-se o mundo.

E desalinha-se também. A linha é a mesma, só corre de formas diferentes.

Será que essa linha do mundo é uma só? E que ela corre de sete em sete e nos une todos, traçando uma rede, de padrão octogonal como fazem as aranhas com as suas linhas?

            E assim alinhava-se o mundo também. Não no passado, no presente, instante que, logo adiante, une um e outro e mais um e mais outro. E unimo-nos na teia que pode não ser octogonal, mas que também é rede, e que hoje corre sem linha, sem fio, wireless. E que é linha de comunicação pra tanta gente – que com uma linha – telefônica, que seja, está junto em um instante.

            E assim une-se o mundo.

            E separa-se também. A linha é a mesma, só corre com objetivos diferentes. Por que tem gente que usa a linha pra linchar a vida alheia, e à distância, por que a linha de tráfego está muito cheia. E tem as linhas que as pessoas traçam ao seu redor, que é pra manter longe os intrusos do lado de lá, mas se esquecem dos intrusos do lado de cá e seguem essa linha, sozinhas.

            E assim é a vida da linha, que quando novinha, corre em torno da mão. E, depois da mão, passa um limitado infinito de anos riscando por e para todas as sortes de lugares e raciocínios, que é pra morrer, no fim de tudo, na mão, de novo. Por que todo artista, no fim da obra – não importa se é quadro ou se é vida – tem que assinar. E assinatura, (formidável!) também é linha.

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Este post foi publicado em 10/09pmMon, 09 Sep 2013 20:52:09 +0000/2012 às 8:52 PM. Ele está arquivado em Sem categoria e marcado , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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